É bastante controvertida a temática sobre a origem e significado em torno do nome da cidade de Batatais.
O que se sabe porém, é que este denominador –Batatais - para a atual região , remonta à época colonial ; referências foram encontradas nos relatos de viagens e cartas de bandeirantes que desbravaram a região nordeste de São Paulo desde o século XVII. Esses sertanistas, penetravam o sertão brasileiro em busca de mão-de-obra indígena, ouro e pedras preciosas.
Quando em 1726 foi oficializada a descoberta de ouro no sertão de Goiás pela bandeira de Anhangüera II , a região dos “Campos dos Batataes” torna-se passagem obrigatória para os novos entrantes e principal razão para as primeiras ocupações. A posse e domínio legal dessas paragens- que, de modo geral, designava toda a região entre os rios pardo e sapucaí –foi passada por carta de doação de sesmaria em 1728 a Pedro da Rocha Pimentel.
Já no início do século XIX , a primitiva povoação de Batatais se formou ao redor de dois pousos : um ficava na “Fazenda dos Batataes” e outro na “Fazenda Paciência” junto ao caminho aberto pelos viajantes rumo à Goiás. Ainda nessa época, a região tinha como fator preponderante para sua subsistência e mesmo fixação a economia de “beira de estrada”-, que promovia no decorrer do caminho a formação de pequenos pousos, ranchos, paragens e fazendas.
Os primeiros moradores eram, em sua maioria vicentinos e portugueses; posteriormente, a região recebeu um grande número de mineiros, todos estes, desde os primórdios sobreviviam da cultura de subsistência de gêneros alimentícios e na criação de porcos e gado e com as trocas comerciais com os viajantes.
No decorrer do século XIX, já como Freguesia ( 1815) desmembrada da Freguesia de Franca , a região foi se desenvolvendo lentamente, vivendo da exportação de toucinho, produção de cana-de-açúcar e gado. Até que pelos idos de 1870, Já então elevada à categoria de cidade, ocorre a introdução da lavoura cafeeira . A partir daí, a cultura do café, assume a condição de principal lavoura da região. Verdadeiro impulso econômico e demográfico , áureos tempos que ditaram a nossa organização política, cultural, arquitetônica e social, atingindo seu auge no início do século XX. Vale ressaltar, que com o advento do café vem se integrar junto aos antigos moradores para o novo empreendimento as famílias de imigrantes italianos, espanhóis, sírio-libaneses e japoneses.
Mas voltemos ao significado do topônimo Batatais. Existem pelo menos três versões históricas conhecidas para o significado do nome Batatais.
* Uma das versões mais aceitas ,baseada em relatos de época, está a ligada a atividade agrícola dos habitantes naturais da região– o gentio caiapó- Os primeiros bandeirantes teriam encontrado por aqui extensas plantações de batatas ( roxa) “feitas pelos índios e descobertas, em gostosa surpresa, pelos primeiros habitantes paulistas e mineiros”;
· Outra versão também enaltecedora da presença indígena na região, seria a que Batatais, deriva de baitata, que segundo alguns pesquisadores locais significa em tupi “rio cascateante entre pedras”, referência às nossas belezas naturais;
· Crê-se também que outra origem viesse do tupi mboitata – cobra de fogo, que na crença dos índios, era o gênio que protegia os campos contra os incêndios.
Outras considerações: estudos recentes de um renomado historiador local, nos atenta para mais uma possível hipótese, ou pelo menos o desmantelamento das duas anteriores: pondera que a atual Batatais não foi território habitado por tupis, mas sim por caiapós, que não falavam a língua geral tupi; e, nada se encontra que ao menos de longe lembre dentre os mitos caiapós a expressão mboitata baitatá. Considera ser pouco provável que os caiapós usassem uma palavra tupi para designar território por eles habitado. Segue afirmando ser baitatá expressão variante de mboitatá; portanto não existiria a possibilidade de ser baitatá “rio cascateante entre pedras”.
E lança-nos uma nova hipótese: acrescenta que o topônimo Batatal ou Batatais foi comum nas regiões onde ocorreu mineração, que não foi o caso da nossa Batatais. A expressão “batatal” era usada pelos mineradores no século XVII e XVIII para designar o local onde se achava ouro de superfície, acredita pois, que a expressão foi usada inequivocamente para designar nossa região, pois temos que considerar a total ausência de cartas geográficas precisas datadas do século XVII e XVIII, e nos lembrarmos que outros “batatais” existiram no atual estado de Goiás.
Mais alguns dados sobre a evolução administrativa e religiosa:
05/agosto/1728 – concessão de uma sesmaria à Pedro da Rocha Pimentel nos “Campos dos Batataes”;
25/02/1815 - elevação à categoria de freguesia, sob a invocação do orago Senhor Bom Jesus dos Batataes ;
25/09/1821 - autorização para transferência da sede da freguesia para outro local, depois de acirradas disputas entre os moradores da dita freguesia em torno da mudança ou da permanência da sede no arraial nas imediações da “Fazenda dos Batataes”;
10/08/1822 – data da doação da porção de terras denominada “Campo Lindo das Araras” feita por Germano Moreira e sua esposa Ana Luiza para patrimônio da igreja; ficando portanto com dois núcleos urbanos, desfazendo-se o arraial velho com o tempo;
14/março/1839 - data da elevação a categoria de vila; conta a história que as condições para tal elevação estariam relacionadas às sedições ocorridas em Franca, conhecidas como “Anselmadas”.
08/04/1875 – data da elevação a categoria de cidade
20/04/1875 - data da instalação da comarca ;
23/12/1994 - elevada à condição de estância turística
Ao leitor interessado em obter maiores informações, sugerimos as seguintes leituras iniciais:
BRIOSCHI, Lucila Reis. Criando história: paulista e mineiros no nordeste de São Paulo ( 1725 – 1835). Tese ( Doutorado), São Paulo, 1995. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP.
CARDOSO, Walter .Considerações acerca do topônimo Batatais. Notícia Bibliográfica e Histórica, ano XXIX, n.o 166,1997. PUC-CAMPINAS.
CHIACHIRI, José. Vila Franca do Imperador( subsídios para a história de uma cidade). Franca: “O Aviso da Franca”, 1967.
FRANS, Jean de. Senhor Bom Jesus da Cana Verde – Batatais d’outrora .1939
TAMBELLINI, Jesus Machado. A Freguesia dos Batataes. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1939.
O Jornal e Folha de Batataes. Edição Comemorativa do Centenário. 14.03.1939 n. 302 e 21.03.1939 n. 303.
Ao término do século XVI, entre 1594 e 1599, os Afonso Sardinha (pai e filho) e João do Prado alcançaram as margens do Jeticaí, hoje Rio Grande. Nessa marcha, provavelmente atravessaram a "Paragem dos Batatais", então habitada pelo "gentio caiapó".
A região foi também visitada por Bartolomeu Bueno da Silva, o "Anhanguera", quando saiu em busca do ouro de Vila Boa, por ele mesmo descoberto em 1725. A partir de então, as veredas abertas pelos pés aborígeneses se tornaram o Caminho das Guaiases.
Ante a notícia do ouro goiano, descoberto pelo Anhanguera, o local atraiu generalizada atenção e muita gente demandou a Vila Boa. Surgiram, então, prósperas fazendas no "Caminho dos Guaiases", concedidas em sesmarias, a título de legitimação possessória de terras já trabalhados e também sob. a alegação de conveniência, para os mineiros de melhor estabelecimento das minas.
Aquele caminho logo se pontilhou de fazendas pertencentes à paulista, em sua maioria oriundas de São Paulo, Itú, Santos e São Vicente. A esses pioneiros se juntaram elementos vindos de Minas Gerais.
Data de 05 de Agosto de 1728 a Sesmaria de Batatais, doado a Pedro da Rocha e passada na cidade de São Paulo.
Em 1814, já existiam capelas e povoados e em 1815 é transformado em freguesia, sob o orago do Senhor Bom Jesus dos Batatais, compreendendo territórios situados entre os rios Pardo e Sapucaí.
Em 1820, o Padre Bento José Pereira achou conveniente mudar a localização do povoado, contra o que se insurgiu a corrente chefiada por Manoel Bernardes a Antônio José Dias.
Após prolongados debates junto ao bispado, foi concedida a transladação do povoado para o "Campo Lindo da Araras", área doada por Germano Alves Moreira e sua mulher Ana Luísa, por escritura de 10 de Agosto de 1822.
A Freguesia do Senhor Bom Jesus de Batatais foi criada no Município de Mogi-Mirim, segundo Resolução de 15 de Março de 1814 e Alvará de 25 de Fevereiro de 1815 e mais tarde incorporada ao Município de Franca, segundo portaria de 21 de Outubro de 1821.
Em 14 de Março de 1839, a Lei Provincial no. 7 criou o Município de Batatais, com território desmembrado de Franco. por forca da Lei Provincial no. 20, de 08 de Abril de 1875, a sede municipal foi elevada à categoria de Cidade.
Pela divisão administrativa referente a 1911, o Município se compunha dos distritos de Batatais, Mato Grosso de Batatais e Brosdósqui.
Pelas divisões de 1933, 1936 e 1937, bem como pelos quadros anexos aos Decretos-Leis estaduais.: 9073 (31 de Marco de 1938), 9775 (30 de Novembro de 1938), 14.334 (30 de Novembro de 1944), 233 (24 de Dezembro de 1948) e 2456 (30 de Dezembro de 1953), o Município figurava como distrito de Batatais, situação que ainda perdura.
Em 1814, a Freguesia do Senhor Bom Jesus de Batatais, pertencia à Comarca de Itu. Passou a fazer parte do termo de Franca, da Comarca de Campinas por força de ato do Presidente da Província, em Conselho de 23 Fevereiro de 1833. Era cabeça do termo de Batatais e Franca, da Comarca de Franca, segundo a Lei . 7 de 14 de Março de 1839.
A Comarca de Batatais, foi criada pela Lei 37, de 20 de Abril de 1875 com os termos de Batatais e Ribeirão Preto. Incorporou mais tarde os Municípios de Jardinópolis (Lei 544 de Julho de 1898) e Brodósqui (Lei 1381 de 22 de Agosto de 1913) e Altinópolis (Lei 1610 de 03 de Dezembro de 1918).
Segundo as divisões territoriais de 1936-37, e quadro anexo ao Decreto Lei Estadual 9073 de Março de 1938, os municípios de Batatais, Brodósqui e Jardinópolis constituíam o único termo judiciário da Comarca de Batatais.
Esta situação foi mantida nos quadros fixados pelos Decretos Estaduais: 9775 e 14.334, de 30 de Novembro de 1938 e 1944, para vigorarem de 1939 a 1948.
Presume-se que o topônimo Batatais se tenha originado de plantações de batatas feitas pelos índios e descobertas pelos bandeirantes.
Segundo outros, vem do Tupi MBAITATA (ou Batata) = cobra de fogo, que na crença indígena era o gênio protetor dos campos contra incêndios. E também quer dizer rio encachoeirado ou rio cantante, pelo choque da água nas pedras.