Grande Colônia Italiana de Batatais.

Desde o princípio do povoamento da região e da cidade, que temos em Batatais, notícias de estrangeiros que para cá vieram e aqui fixaram residência, tão bem acolhidos foram em nossa terra. Alemães, Austríacos, Portugueses, Libaneses, Franceses, Espanhóis, Ingleses, Japoneses e Italianos. Devido as fazendas de café da região, os italianos foram se tornando uma colônia numerosa e alegre, que com o passar do tempo, introduziram nos costumes do lugar suas tradições, superstições e seu jeito característico de ver a vida, alegre, falante e gesticulando com as mãos, é como se sem as mãos, perdesse a voz.

Vamos dentro da numerosa colônia italiana de Batatais, citar alguns nomes de nós conhecidos e outros, que ficaram nas lembranças de nossos antepassados: Pedro Mascagne, fundador do primeiro hotel em Batatais, pelo final do século passado, deixando em nossa cidade os filhos, Colombo Mascagne e Pedro Mascagne Filho; Mansueto Orsolini, homem trabalhador, dono de uma padaria, foi ele quem iniciou em Batatais a distribuição de pães nas residências em carrocinhas; Nicolau Liparelli, que negociava numa pequena casa na esquina das Ruas Coronel Joaquim Alves e Marechal Deodoro; O Egidio Zacara, residia na esquina das Ruas Barão de Cotegipe e Coronel Joaquim Rosa, onde fazia comércio de secos e molhados, infeliz nos negócios, acabou falindo e indo trabalhar como empregado da Estação Mogiana de Estradas de Ferro; Antonio Perrone, tinha alfaiataria na Praça Dr. Washington Luis, deixou em nossa terra os filhos, Alberto Perrone e Francisco Perrone; Miguel Puccinelli, foi fundador da primeira Fábrica de Cerveja e Gazosa em Batatais, no Bairro do Castelo; os irmãos Raimundo e Daniel Tambellini, foram donos de uma sapataria no centro da cidade, depois tiveram uma olaria no Córrego do Retiro, deixando em nossa terra seus descendentes, Anselmo, Carlos e Guilherme Tambellini; Nicola Ferrari, sobrinho do Padre Mansueto da Paróquia de São José do Chapéu do Morro Agudo, teve Casa de Comércio na Rua Coronel Joaquim Rosa e na Praça Cônego Joaquim Alves; Francisco Noviello, foi o primeiro barbeiro com salão regulamentado na cidade, na Ladeira Dr.

Mesquita; Luiz Lupato, morava no Bairro do Castelo na Rua Marechal Deodoro onde tinha uma oficina mecânica; Pedro Falchi, negociante de secos e molhados, com estabelecimento, na esquina das Ruas Coronel Joaquim Alves com Marechal Deodoro; Felipe Casela, negociante, que residia na Avenida dos Andradas, esquina com a Rua Afonso Pena, possuiu depois, por volta de 1900 um restaurante muito movimentado, no centro da cidade onde hoje está instalada a Farmácia Lellis; Luiz Raymundo, residiu por muito tempo em uma pequena casa na Avenida dos Andradas e posteriormente na Rua José Augusto Fernandes, teve Salão de Barbeiro no centro da cidade, em uma casa onde hoje se encontra o Supermercado Nori do centro, se instalando depois com seu salão no Bairro do Castelo em casa anexa a Sapataria do Senhor Pedro Boareto na Praça Dr.

Fernando Costa, deixou em nossa cidade seus descendentes, que aqui constituíram família e prosperaram; Pedro Boareto sapateiro com estabelecimento comercial no Bairro do Castelo a Praça Dr. Fernando Costa, onde hoje moram suas filhas, que mantém no lugar um Salão de Cabeleireira; Giovani Barbieri, agricultor e comerciante de secos e molhados, residiu primeiramente em uma fazenda no município de Batatais com a família, depois de algum tempo mudou-se para a cidade, estabelecendo residência em casa na Rua Afonso Pena esquina com a Celso Garcia, teve estabelecimento na Avenida dos Andradas esquina com Avenida XV de Novembro, passando depois aos filhos e netos; Agapito Liparelli, dono da casa comercial Lanterna de Genova na esquina da Rua Coronel Joaquim Alves com a Ladeira Dr. Mesquita; Adolpho Vietti, jornalista, orador e negociante, foi fundador do primeiro restaurante a lacarte de Batatais, na Praça Cônego Joaquim Alves; Miguel Conti, diretor e redator do Jornal “A Idéia”, por volta de 1897; Pedro Ragazzi, comerciante fundou a primeira confeitaria que houve na cidade, na Rua Marechal Deodoro, onde hoje encontra-se instalada a casa comercial Bersa Radio e TV; Samuel Adolpho Biaggi, industrial conceituado na cidade; o arquiteto e construtor José Zampieri, foi ele que construiu o antigo Mercado Municipal( foto ao lado) onde hoje é a Agência do Correio e o antigo Matadouro no governo do Dr. Washington Luis na Prefeitura; Luiz Cobianchi, proprietário do Hotel dos Viajantes, na Rua Celso Garcia.

Estes e tantos outros filhos de terras além mar fizeram e fazem a história de nossa Batatais cem anos depois da chegada do primeiro grande contingente de imigrantes italianos que para cá vieram trabalhar nas lavouras de café, que naquele tempo era a riqueza da cidade.

Movimento Imigratório

Vamos neste artigo tratar do movimento imigratório ocorrido para o Brasil, desde 1827, até 1937 período em que mais entraram no Brasil imigrantes de todas as nacionalidades, dos mais diferentes lugares do mundo. Sendo na época São Paulo, o Estado mais importante da federação, sobre o ponto de vista agrícola, industrial e comercial, é fácil compreender porque grande número de estrangeiros, imigraram para o Brasil e para cá se dirigiram. Por volta de 1891, foi registrado 108.736 imigrantes dos quais, 84.486 italianos. O ano de 1895, foi o ano que se registrou um recorde da imigração, constando um total de 139.998 imigrantes, sendo 84.722 italianos. Em 1913, período de grande progresso no Estado de São Paulo, foram 119,758 imigrantes, sendo o menor número de italianos, pois a Itália estava envolvida na 1ª Grande Guerra Mundial. Segundo dados de Salvatore Pizan, em seu livro: Lo Stato de San Paolo nel Cinqüentenário dell Immigrazione, editado em 1937, os imigrantes que entraram no Estado de São Paulo entre os anos de 1827 à 1935, foram 2.325.376, distribuídos de acordo com sua nacionalidade da seguinte forma:

Italianos- 741.133
portugueses - 401.425
espanhóis - 389.383
japoneses - 137. 346
austríacos - 43.280
diversos - 412.089

No município de Batatais, residiam 3.500 italianos natos e cerca de 6.000 filhos de italianos, quase todos agricultores, apenas alguns partiram par o setor industrial. Os italianos possuíam 112 propriedades agrícolas com 4.569 alqueires com um valor de 3.786 contos de réis. A colônia italiana de Batatais, era bastante numerosa, tendo em seu seio, pessoas das mais diversas profissões: arquitetos, lavradores, pintores, desenhistas, pedreiros, engenheiros, ferreiros, agricultores, pecuaristas, panificadores, industriais, comerciantes dos mais variados ramos na cidade, banqueiros, advogados, mecânicos, carpinteiros, economistas, jardineiros, professores, farmacêuticos, músicos, cantores, e tantas outras profissões.

A colônia italiana era tão expressiva na cidade, que em 02 de abril de 1893, era fundada a Sociedade Italiana de Socorros Mútuos, passando depois a Sociedade Italiana de Beneficência e Mutuo Socorro, com sede própria, sendo em 1937 seu presidente o senhor Carmine De Felicibus, após a 2ª Guerra Mundial a Sociedade teve uma grande baixa no número de sócios, entrando com o tempo em inatividade, diz-se que a Sociedade tenha sido o embrião para a criação de uma nova agremiação que defendesse os interesses culturais da cidade, uma sociedade muito atuante em nossos dias, a Sociedade Pró Arte de Batatais. A Sociedade Italiana foi reativada em 1992, funcionando até a presente data. O Consulado Geral Italiano de São Paulo, possuía em Batatais um correspondente consular, na pessoa do industrial Marcelo Girardi, com indútria de Laticínios “Laticnios’Liurgs ( Girardi e Cia ), embrião que deu origem a Colaba Cooperativa de Laticínios e Agrícola de Batatais

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