Figura marcante da História de Batatais, o Monsenhor Joaquim Alves Ferreira nasceu na cidade em 27 de outubro de 1880, um tipo muitíssimo interessante, para sua época, e cuja personalidade reveste-se de grande peculiaridade, mas qual infelizmente pouco se sabe. Filho do capitão Cândido Alves Ferreira, agro-pecuarista, e Dona Maria das Dores de Lima, foi ordenado padre aos 24 anos de idade. Suas atividades na Igreja Matriz começaram ao redor de 1907, e entre suas atividades, destaca-se a direção do Colégio São José (1917 a 1918) e a atuação como provedor da Santa Casa de Misericórdia.
Admirador da boa música e das belas artes em geral, adepto de novas idéias, pertencendo a uma família economicamente muito bem sucedida, apreciava muito viajar, não só para conhecer outros paises, mas também as novidades culturais de sua época. Como seu tio, Cônego Joaquim Alves Ferreira, que foi pároco em Batatais por aproximadamente trinta anos. O Monsenhor Joaquim Alves doutorou-se em Roma, foi camareiro e prelado secreto do Papa, após realizar o seu doutorado, Ferreira retornou a Batatais, onde foi inspetor Federal de Ensino.
No ano de 1911 fez inaugurar o Teatro Santa Cecília, construído no fundo da residência do seu tio, situada na praça que lhe leva o nome: Praça Cônego Joaquim Alves. Como a casa tinha sido construída em “L” esse Teatro tinha sua frente voltada para a rua das Palmeiras, depois Afonso Penna e atual Monsenhor Alves. No palco havia uma tela própria para projeções cinematográficas, para tanto, Ferreira havia adquirido um projeto de filmes de fabricação Francesa de marca Pathé et Fréres.
Sua inauguração deu-se a 7 de setembro de 1911, com a presença do bispo da diocese de Ribeirão Preto, d. Alberto José Gonçalves. Foram muito comentados pela imprensa a suntuosidade do salão e o animado baile da ocasião realizado “pelo escol dos rapazes batataenses”
Este tinha um Grêmio que contava com um grupo de teatro e uma biblioteca, e realizava as suas apresentações teatrais e musicais no Cine Polyteama, no Bairro do Castelo, que também pertencia ao teatro Santa Cecília. Durante a epidemia da “gripe espanhola”, em 1918, o Teatro Santa Cecília serviu de hospital para as mulheres, enquanto o Grupo Escolar “Washington Luis” funcionava como hospital dos homens.
Duas façanhas do monsenhor foram concretizadas. – a construção de sua residência, hoje Casa da Cultura, e a reforma da igreja Matriz.
O calendário marcava dia 06 de maio, um domingo, o Monsenhor sentiu-se mal na Fazenda da Ilha, onde celebrava uma missa, trazido às pressas para o Hospital Major Antonio Cândido, faleceu na noite do dia 08. Milhares de pessoas, todas as irmandades, foi dar seu ultimo adeus ao querido Monsenhor. Ao chegar o esquife no campo santo, uma Cia do 3º Batalhão de Caçadores disparou três salvas de tiros e o clarim cortou o céu num triste toque de silêncio.