Cândido Portinari

Os imigrantes italianos também geraram artistas de qualidade como o pintor Cândido Portinari, que deixou belas pinturas nas paredes da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde de Batatais, onde ele foi batizado. O conjunto de 1954. Inclui 14 estações da Via Sacra, nas capelas laterais e na nova matriz, além de cinco cenas bíblicas e quatro imagens de Nossa Senhora Aparecida. Essas telas estão instaladas em nichos especialmente projetados para recebe-las, num trabalho acompanhado pelo próprio artista. Nascido em 29 de dezembro de 1903, em Brodósqui (SP), Cândido Torquato Portinari era filho dos humildes imigrantes italianos, Batista Portinari e Domingas Portinari. Foi batizado na antiga Igreja Matriz do Bom Jesus da Cana Verde, em Batatais, onde pintaria seus célebres painéis, e, após cursar o primário em sua cidade natal, foi, aos 15 anos para o Rio de Janeiro, então Capital do Brasil.

Matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes e, em 1928 recebe o prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas Artes, indo para Paris, onde permaneceu em 1930. No ano seguinte, volta ao Brasil e, aos poucos livra-se da formação européia, decidindo retratar o povo brasileiro. Em 1935, expõe a tela Café na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, obtendo a segunda menção honrosa. Quatro anos depois o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire a sua tela O morro. A crítica de arte e o público do mundo inteiro o reconhecem como uma expressão de temas e traços brasileiros.

Nove anos depois, a convite do arquiteto Oscar Niemeyer, decora o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), com destaque para o mural São Francisco e a Via Sacra, na Igreja da Pampulha. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro, é obrigado, em 1948, a se exilar no Uruguai. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova Iorque, como o melhor pintor do ano. No ano seguinte, conclui a pedido do governo brasileiro os painéis da Guerra e Paz. Estão no hall de entrada dos delegados do edifício sede da ONU, em Nova Iorque.

Intoxicado pelas tintas que usava, Cândido Portinari morreu em 06 de fevereiro de 1962, deixando pinturas, desenhos e gravuras caracterizadas pela constituição de uma pintura brasileira e socialmente participativa. Foi o engenheiro-arquiteto da Igreja Matriz de Batatais, Carlos Zamboni, que teve o primeiro contato com o pintor Cândido Portinari para pintar o templo católico, sendo que o um dos mais empolgados com a idéia era o fazendeiro José Martins de Barros, apaixonado pela obra do artista. Quando os batataenses procuraram Portinari pela primeira vez, pediram-lhe que realizasse as 14 estações da Via Sacra de maneira simples e de fácil compreensão ao povo.

Cândido Portinari que, na época já havia se filiado ao Partido Comunista e deixara de acreditar em Deus, respondeu: “Não sou mais católico; não creio – mas compreendo. Muitas das pessoas que mais estimo são católicas, e para elas a religião é uma coisa importante. Procurarei fazer algo que lhes agrade. “ E, de fato, Portinari realizou um conjunto extraordinário, sendo que a família de José Martins de Barros pagou sete quadros da Via Sacra e o Mestre Portinari doou os outros sete. Em 14 de março de 1953, data de aniversário da cidade, Dom Luis do Amaral Mousinho, bispo diocesano de Ribeirão Preto benzeu as catorze telas de Portinari da nova Igreja Matriz, num acontecimento de repercussão internacional

Portinari é o único brasileiro no catálogo “Raisonné”

Candido Portinari é o único artista brasileiro a ter sua obra publicada no catálogo "Raisonné". Nascido em Brodowski em 1903, Portinari entrou para um seleto grupo de artistas após 25 anos de pesquisa, que resultaram no catálogo, uma publicação que reúne toda a sua obra. Apenas 800 artistas têm uma obra como essa, sendo que nenhum deles é da América Latina. O catálogo custou R$ 1,8 milhão e reúne 4.991 obras de Portinari, em ordem cronológica. Foram confeccionados somente 2.000 catálogos e o preço assusta: R$ 2.000. Para quem não pode se dar ao luxo de ter um catálogo desses, pode simplesmente visitar as obras “ao vivo”, aqui mesmo em Batatais ou ainda ir até a vizinha Brodowski, cidades que concentram grande parte da produção artística de "Candinho". Em Batatais, há o maior acervo de quadros sacros do artista, expostos na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde e responsáveis em parte pela transformação do município em Estância Turística, em 1994. São 22 telas em exposição. Portinari morreu em 1962 e, durante os 59 anos que viveu, dedicou-se além das artes à política, tendo sido candidato a deputado federal em 1945 pelo PCB, sem sucesso.

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