A Campanha da Fraternidade neste ano de 2006 nos convida a refletir sobre a situação da Amazônia, este patrimônio brasileiro que representa o ‘pulmão do mundo’. Atualmente, a questão ambiental se tornou assunto mundial e nos convida a pensar em temas como: biodiversidade, sustentabilidade, preservação, cuidado, zelo e amor à natureza, consciência ecológica, etc.
Infelizmente, ainda há muitas pessoas e segmentos sociais indiferentes a estes temas. É urgente articular processos de conscientização, estudos, reflexão, análise da situação e ações concretas.
As ações dos ecologistas, muitos chamados de ‘ecochatos’, da mídia conscientizadora, dos estudos de especialistas em escala nacional e mundial, não bastam para sensibilizar governos, empresários agrícolas, latifundiários, mineradores e tantos outros grupos que, muitas vezes, de forma PREDADORA, destroem a natureza.
E nesta hora o papel da ESCOLA é fundamental. Ela pode ser um grande instrumento de conscientização na construção da ECOPEDAGOGIA, concepção criada pelo educador Francisco Gutiérrez, diretor do Instituo Paulo Freire, IPF, da Costa Rica, em 1992 por ocasião da ECO-92 realizada na cidade do Rio de Janeiro.
O tema da consciência ecológica levanta-nos um problema profundo e de uma vastidão extraordinária. Como afirmava Claudemiro Godoy do Nascimento, em artigo de 30.10.06, “gostaria de apresentar algumas reflexões que são resultados de debates organizados pelo Instituto Paulo Freire (IPF) sobre os novos paradigmas da educação. O objetivo é compreender melhor o papel da educação na construção de um desenvolvimento com justiça social, centrado nas necessidades humanas e que não agrida ao meio ambiente, daí a necessidade de uma "ecopedagogia" que nos ensina a viver de forma sustentável. Para se entender o que seja ecopedagogia, é preciso compreender o que vem a ser pedagogia e o que vem a ser sustentabilidade. Francisco Gutiérrez e Daniel Prieto definem pedagogia ‘como o trabalho de promoção da aprendizagem através dos recursos necessários ao processo educativo no cotidiano das pessoas’. O cotidiano e a história fundem-se num todo. A cidadania ambiental local torna-se cidadania planetária. Para ambos os autores, parece impossível construir um desenvolvimento sustentável sem uma educação para o mesmo. Esse desenvolvimento sustentável requer quatro condições básicas para se efetivar no cotidiano das pessoas, a saber: 1) que seja economicamente factível; 2) que seja economicamente apropriado; 3) que seja socialmente justo; 4) e que seja culturalmente eqüitativo, respeitoso e sem discriminação de gênero... Os valores que devem sustentar a ecopedagogia são: sacralidade, diversidade e interdependência com a vida; preocupação comum da humanidade de viver com todos os seres do planeta; respeito aos direitos humanos; desenvolvimento sustentável; justiça, eqüidade e comunidade; prevenção dos danos causados. Neste sentido, todo homem e toda mulher é um educador e educadora, pois todos são protagonistas em cuidar do planeta Terra.” (cf.: www.adital.org, 30.10.2006)
Que toda a sociedade se una nesta luta para preservar a natureza, a Amazônia e tantos outros espaços onde a vida humana, animal, vegetal e mineral está ameaçada. O futuro já é presente e não podemos ficar indiferentes e omissos ante os processos predadores da vida e da natureza.
Fiquem com Deus!
Pe. Ronaldo Mazula, cmf