Assim como a morte de Jesus na cruz é um fato histórico, também a ressurreição o é, devido toda a descrição como está feita. Na cruz estavam às testemunhas que ouviram seu grito, os soldados constataram que já estava morto e o sepultamento confirma a evidência dos fatos.
Nesse tempo pós pascal vai nos falar frequentemente das aparições bem visíveis, toque de mão e o lado ferido, as marcas dos cravos, etc. Tudo parece tão evidente que os apóstolos não puderam fazer outra coisa a não ser aceitar o acontecimento da ressurreição. Nem precisaram ter fé, bastou à evidência dos fatos.
Entretanto, é preciso fazer aqui uma observação interessante, porque o corpo de Cristo agora está diferente, fora das leis do espaço e do tempo, tanto que Ele não foi reconhecido nem por Maria Madalena e nem pelos discípulos de Emaús e os outros onze discípulos pensavam estar vendo um fantasma. Apesar de todas as evidências, os apóstolos continuavam tendo dificuldades para crer.
Os relatos dos Evangelhos parecem querer transmitir-nos, por um lado, que as testemunhas chegaram a uma certeza na fé, de maneira indubitável, de que Cristo ressuscitou. Para isso insistem nos aspectos sensíveis de ver, tocar e ouvir. Apesar de tudo isso, paira uma incerteza sobre os apóstolos que nos parece estranha. Querem acreditar, mas têm medo. Entretanto, “nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar quem era ele, pois sabiam que era o Senhor” (Jô 21,12).
Portanto, essa certeza não podia vir dos sentidos, mas da fé, que os discípulos encontraram no conjunto dos acontecimentos pascais, sinais suficientes para ser uma fé razoável. E é essa fé que vai lhes dar força para o início da ação missionária. Por isso, os discípulos de Emaús sentem que algo em suas vidas mudou, agora tem sentido ter acreditado e quando chegam de volta a Jerusalém, ouviram dos discípulos: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão” (Lc 24,34). A tradição nos fala do papel importante de Pedro nessa confirmação pela força da oração de Jesus: “Confirma os teus irmãos na fé." A fé no ressuscitado continua hoje tendo sua fonte na presença de Cristo que, no mais profundo de nós mesmos, nos chama e nos convoca.
A ressurreição de Jesus é importante, porque se assim não fosse, São Paulo nos vai dizer: “se Cristo não tivesse ressuscitasse, a nossa fé seria morta, não teria sentido, e a paixão de Cristo seria inútil”. (1Cor 15,17).
Os homens pensam que a felicidade está na busca de poder, riquezas e prazeres e Jesus mostrou o contrário. Ele assume a debilidade dos fracos e diz mais: “quem quiser conservar a sua vida, a perderá, e quem por causa de mim, perder a vida, a reencontrará” (Mt 10,39).
Concluindo, a ressurreição é a vitória do dom sobre o egoísmo, da vida doada sobre a vida poupada como fez o próprio Cristo.