No dia 25 de janeiro comemoramos os 2000 anos da conversão de São Paulo ao cristianismo. O Papa Bento XVI abriu um espaço dentro das celebrações litúrgicas do tempo comum para toda a Igreja no mundo inteiro, a fim de prestarmos a devida homenagem a este grande apostolo.
Em Atos 22,3-16, São Paulo narra como se deu a sua conversão. Mas o que realmente aconteceu ao longo do caminho para Damasco?
Saulo, antes assim chamando, deixa Jerusalém em direção a Damasco para aprisionar os Discípulos do Senhor. Quando estava chegado às portas daquela cidade, viu uma grande luz vinda do céu que os cega, derruba-o da cela e o joga por terra.
É essa dramática cena da conversão de Paulo que temos impressa na mente e que os artista reproduzem em suas telas. Entretanto, nos textos dos Atos não se encontra nenhuma menção nem que caiu do cavalo, nem da escolta militar. Alguns homens que caminhavam, se encontram por acaso com Paulo e o conduzem até à cidade.
A conversão de Paulo foi um momento determinante na vida da Igreja primitiva, por isso os Atos narram por três vezes: Atos 9,11; 22,3-16; 26,9-18.
Se alguém tiver a paciência de ler e de comparar os textos, ficará um tanto surpreso porque o episodio é narrado com particularidade.
Na primeira narrativa os homens que caminham com o Paulo detêm-se emudecidos, ouvem a voz, mas não vêem ninguém "Atos 9,7". Na segunda narrativa o Apostolo refere o que aconteceu, dizendo: "os meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz de quem falava" (Atos 22, 9). E Paulo continua narrando um pouco mais adiante: "Eu estava em caminho quando uma luz do céu mais fulgurante que o sol, brilhou em torno de mim e dos meus companheiros. Caímos todos por terra, e ouvi uma voz em hebraico: Saulo, Saulo, porque me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra o aguilhão "Atos 26, l3-14". Trata-se de pequenas diferenças e que não mudam o centro da narração, porque o que precisamos descobrir é a experiência espiritual decisiva da vida de Paulo.
Em muitas vezes em suas cartas Paulo fala dessa experiência em Damasco, mas a lembrança mais significativa encontra-se na carta que escreveu aos Gálatas, dizendo: " Certamente ouviste falar de como outrora eu vivia no judaísmo, como perseguia a Igreja de Deus; avantaja-me no judaísmo a muitos dos meus companheiros e eu era zeloso nas tradições de meus pais. Mas quando aprouve à aquele que me reservou desde o seio de minha mãe e me chamou por sua graça, para revelar seu Filho em minha pessoa, a fim de que eu o tornasse conhecido entre os gentios (Gálatas 1, 13-16).
Após a conversão há uma mudança no modo de como Paulo agora vê as coisas: "antes ele conhecia Jesus apenas de um modo humano" ( 2 Cor 5,16), seguia a lógica dos homens e da instituição judaica. Esperava a solução pela observação restrita da lei. A partir do dia em que encontrou com Jesus, todos os critérios anteriores que ele "considerava de valores, caíram por terra: o que para ele constituía um titulo de gloria, tornou-se esterco" (Fil 3, 7-8).
Paulo não media esforços. Foram calculados 1000 km na primeira viagem, 1400 km para a segunda viagem e 1700 km para a terceira viagem, chegando mesmo até à Espanha ( Rom 15, 24). Em 2 Cor 11, 25-26, Paulo fala de suas viagens e dos perigos que teve que enfrentar. Portanto, ele merece que neste ano o celebremos como sendo ano Paulino a Ele dedicado.