As paróquias são as divisões administrativas, jurídicas e pastorais de cada Igreja local ou particular. A Igreja local, governada pelo bispo com o colégio presbiteral e os diáconos, constitui uma entidade singular. Em cada uma atualiza-se toda a Igreja Católica, visto nela haver as estruturas constitutivas fundamentais: canôn das Escrituras, plenitude da estrutura sacramental e a sucessão apostólica ministerial. Isto não acontece nas paróquias que surgiram pela expansão missionária da Igreja nas pequenas povoações que rodeavam as urbes (paróquias rurais) e que imediatamente se estenderam às cidades por força do crescimento da população. Perante as necessidades pastorais destas comunidades e a impossibilidade que o bispo com o seu presbítero tinha de as atender, confiou-se a alguns presbíteros o cuidado desses grupos de fiéis (a cura de almas de uma paróquia) dentro da única Igreja local. As paróquias, hoje, tem muitos problemas pastorais. Põe-se em questão a falta de consciência comunitária que nelas existem e a necessidade de as promover como uma comunidade de comunidades. Esta é uma das causas do movimento das comunidades de base como forma de as revitalizar, especialmente na América Latina. Também se questiona a necessidade de as transformar , de lhes devolver a sua dinâmica missionária como plataforma de evangelização. Muitas paróquias conservam uma pastoral tradicional e, às vezes, tendem a reduzir-se a instituições de serviços religiosos e de administração de sacramentos, perdendo, dessa maneira, o seu caráter eclesial de comunidades vivas. Isto é motivado pela escassa intervenção dos leigos e pelo clericalismo que ainda subsiste nelas. A renovação eclesial depende, em grande parte, da transformação paroquial, sendo este um grande repto para o futuro. A Paróquia é definida no Direito Canônico, como “comunidade de fiéis submetida a um pároco”, ou “o território sobre o qual se estende a jurisdição do pároco”. Nos primeiros séculos da Igreja, não existiam as paróquias; existiam apenas os bispados ou Diocese administrativa pessoalmente pelos bispos, legítimos sucessores dos Apóstolos. Assim podemos dizer que cada diocese constituía uma única paróquia, cuja matriz era a catedral, única Igreja que possuía a pia batismal. Os bispos, nas suas catedrais, acercavam-se de Presbíteros auxiliares para o serviço do culto e administração dos sacramentos. Com a propagação da fé, formaram-se núcleos numerosos de fiéis nas grandes cidades e nas aldeias. Surgiu então a necessidade de se construírem templos para atender a estes fiéis, que, pela distância geográfica, nem sempre podiam freqüentar os maiores centros urbanos onde se encontrava o Bispo em sua sede diocesana. Para as Igrejas distantes da sede episcopal, os bispos enviavam Presbíteros, por turno, para fazerem o serviço ministerial, regressando depois a sede do Bispado. Com o passar do tempo o Bispo confiou a um Presbítero a administração de tal igreja marcando-lhe um território ou comarca, para o exercício de sua jurisdição. Esse território ou comarca é o que chamamos “paróquia”. A estrutura paroquial, datada do fim do século IV, vem através dos séculos resistindo as investidas das transformações culturais que a humanidade promove mediante sua evolução natural. Numa análise histórica, comparando os tempos, percebemos que a Paróquia nasce de uma necessidade pastoral, pois, com o crescimento do número de católicos e a dificuldade de chegarem à cidade, o Bispo local não tinha mais condições de atender a todos os seus fiéis, nem mesmo tendo com ele os Presbíteros com os quais formava o presbitério. Criou-se então Titulares em regiões diversas da cidade e também no interior. Historicamente optou-se por multiplicar as paróquias em vez de multiplicar as dioceses. Com o regime feudal, a paróquia se tornou mais rural. E assim, criou-se a figura do Pároco, aquele que representa o Bispo numa determinada região geográfica. (Paroika, do grego = aquilo que se encontra perto ou ao redor da casa). A paróquia congrega ao redor de seu centro de ação, esta população ai residente. A paróquia é, portanto, venerada pela sua antiguidade, sua estruturação territorial, bem como sua jurisdição canônica preserva traços até os nossos dias. Com a separação da Igreja frente ao estado ela ganha também jurisdições civis, compreendida com entidade jurídica, regida por leis próprias e garantida pela constituição de acordo com cada país. No Brasil, a instituição paroquial não conheceu a realidade rural como a Europa, onde um pároco atendia a sua vila com número reduzido de habitantes. A paróquia no Brasil sempre foi na cidade, ou seja, sua sede sempre esteve na cidade onde estava a Matriz e em redor dela o povo se congregava. Na periferia e na zona rural existiam (e esta mentalidade ainda está presente em muitas regiões) as capelas onde a celebração dos sacramentos acontecia e acontece, em períodos determinados. Muitas já são as dioceses que transformaram essas capelas em verdadeiras comunidades numa mentalidade nova de compreensão da paróquia. Embora falamos de paróquia urbana no Brasil, a mentalidade sempre foi rural e, hoje ainda, mesmo tendo a maioria da população residindo em cidades, a mentalidade paroquial vigente é rural, isto se dá pelo fato das vocações ao presbiterado ainda provirem, em sua maioria, das famílias rurais ou a elas estarem vinculadas pela cultura apreendida. A paróquia ainda não se inculturou com a urbanização. A reflexão sobre o tema “paróquia” carece de uma exploração mais sistemática. São poucas as obras literárias sobre o assunto no Brasil. Os teólogos que abordam esta temática o fazem para artigos de revistas e outros meios de comunicação literária. A reflexão gira mais em torno da pastoralidade que da estrutura paroquial como organismo eclesial. Trata da pastoral na paróquia e não a paróquia como fonte da pastoralidade em sua articulação organizacional. Já foram realizados alguns seminários sobre a pastoral urbana. Existem alguns ensaios sobre modelos alternativos de paróquia, considerando a dimensão afetiva da opção pessoal; ou a aproximação pela caracterização profissional; ou a paridade de sócio-econômica e outras experiências que acontecem como investimentos para uma renovação. Em nossa arquidiocese estamos trabalhando com o projeto “SIM” (Ser Igreja em missão); dentro do projeto, em sua 2ª etapa, renovação das estruturas paroquiais; e 3ª etapa a revitalização das lideranças, visando infatizar a humanização das nossas paroquiais.