Colunistas

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

18/02/2010

Covas Junior

          Os principais itens das escolas de samba têm razão de ser e até motivação histórica. É o caso do casal de mestre-sala e porta-bandeira que deve ser muito bem preparado, pois o primeiro par vale nota e qualquer deslize pode derrubar a escola. Tudo começou com a porta-estandarte dos antigos blocos do Rio e de São Paulo. Antigamente, quando o carnaval de rua não era devidamente reconhecido e oficializado pelas autoridades públicas, os sambistas saíam com suas agremiações de maneira desorganizada e desestruturada e o encontro entre os respectivos grupos sempre originavam em fenomenais pancadarias devido à enorme rivalidade que marcava aqueles conjuntos de época.e, no meio das confusões – entre cacetadas dos policiais – o objetivo principal era roubar o estandarte do inimigo. Quem conseguisse tal façanha era uma espécie de vencedor. Em São Paulo, o pau comia feio nos encontros dos cordões Camisa Verde e Vai-Vai.  Foi então que nasceu a figura do mestre-sala, cuja obrigação fundamental era  proteger o pavilhão e a sambista que o carregava, impedindo que alguém se aproximasse do símbolo da agremiação sem a devida autorização. No começo, um ou outro mestre-sala carregava até uma espada que era usada em caso de desrespeito. Aliás, o mestre Naum – maior mestre-sala de todos os tempos do carnaval de Santos – até recentemente desfilava com a sua espada.             O estandarte era uma espécie de bandeira quadrada. Quem teve a oportunidade de assistir aos desfiles da Escola de Samba Princesa Isabel – desfiles memoráveis e inesquecíveis, por sinal -, lembra-se do estandarte que marcou época no carnaval de Batatais. A Princesa era a única escola de samba da cidade e saía com a comunidade negra esbanjando muito luxo e categoria, ao som da bateria do chamado “samba -rural”,de marcação lenta e cadenciada, e com as cabrochas em filhas indianas dando o recado no pé. Mas, com o correr dos anos, o estandarte foi substituído pela bandeira, para simbolizar o pavilhão da entidade, e, a porta-estandarte tornou-se a porta-bandeira, sempre protegida pelo inseparável companheiro mestre-sala.            No Rio de Janeiro, sem dúvida alguma, a mais célebre porta-bandeira de todos os tempos foi a Vilma da Portela, esposa do Mazinho, filho do Natal. Hoje, sentindo o peso dos anos, Vilma limita-se a formar novas gerações, ensinando a arte que sempre dominou com muita categoria. E – também sem dúvida -, o maior mestre-sala de todos os tempos foi o Delegado, desfilando por mais de 50 anos na Estação Primeira de Mangueira.            Portanto, sem dúvida alguma – além da bateria, evidentemente –, o principal quesito de uma escola de samba é o casal de mestre-sala e porta-bandeira, até por uma questão de história e tradição do carnaval . 

Covas Júnior – jornalistaajcovas@radiocapital.am.br 

É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico
ou impresso sem autorização escrita da Batatais Online
1.998©2007 TVbatataisonline: Todos os direitos reservados