Colunistas

Festa do Sagrado Coração de Jesus

10/06/2010

Padre Pedro

No próximo dia 11 a igreja celebrará a festa do Sagrado Coração de Jesus que reavivará em nós o desejo de termos um coração semelhante ao do nosso mestre.            O mesmo Jesus nos faz o convite.         Sobre a mansidão e humildade de coração começa Jesus sua pregação. Com a mansidão e humildade de coração a prossegue e termina. Mas já muito antes da palavra, nos ensina estas virtudes pelo exemplo. “Toda a vida de Cristo na terra foi um ensinamento para nós; ele tem sido mestre de todas as virtudes, mas mui particularmente da humildade.” – Quis nascer de uma mãe pobre, nasceu numa gruta, teve por berço uma manjedoura, foi envolto em pobres paninhos, quis ser circunciso como se fosse pecador, quis comer o pão do exílio, recebeu o batismo como os pecadores e publicanos, como se fosse um deles; esconde-se quando o querem proclamar rei; expõe-se as injurias e aos vitupérios, quando os homens e exaltam, manda-os calarem-se, quando o cobrem de escarneos e insultos, nada diz; antes de começar sua Paixão, lava os pés aos discípulos; morre a morte ignominiosa da cruz.            Não tem uma palavra de rancor para os patrícios ingratos, que não quiseram saber da sai celeste doutrina e de sua missão de Salvador do mundo; nenhuma palavra de censura dirige aos discípulos, tão ignorantes e cheios de defeitos que eram e que vilmente o abandonaram as mãos dos inimigos; nenhuma palavra de repreensão a Pedro, covardemente o negou nem a Judas, que o vendeu por trinta dinheiros. Ele, o Cordeiro imaculado, depois de ter vivido trinta anos na solidão e no silêncio, passa grande parte dos últimos três anos de sua vida mortal no meio dos pecadores. Culpa não há, por mais grave que seja, da qual não conceda o perdão a uma alma arrependida e humilhada. As suas ultimas palavras na cruz invocam sobre os algozes o perdão do Pai Eterno.            E ainda na sua vida gloriosa, quantos exemplos de humildade e de mansidão não nos deu o Coração de Jesus! O que ele na sua vida mortal fez num pequeno ângulo da terra, hoje é feito em todo o mundo. Nasce sem interrupção sacramentalmente nas mãos dos sacerdotes, homens, como os apóstolos, pobres pecadores. Consente que o fechem no sacrário, bem mais estreito que a lapa de Belém; pobres são a maior parte das suas igrejas, a sua única companhia, quase todo o tempo, é a luz da lâmpada, sofre em silêncio o abandono, o escarneo, a profanação, os atos sacrílegos, horrendas blasfêmias, apesar de tudo mantém sua promessa de ficar conosco até o fim dos séculos. Tolera que sua igreja seja desprezada, perseguida e sua doutrina posta ao nível dos cultos dos infiéis e hereges.            Jesus imortal tem o coração inflamado pelo mesmo desejo que devorava na sua vida mortal. “Hei de ser batizado com um batismo de sangue, e em que ansiedade me sinto até que isto se cumpra!” “Tenho desejado anciosamente comer convosco esta páscoa, antes que padeça.”            Tudo, pois, por amor a Jesus, tudo a imitação do seu Sagrado Coração! Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso!            O coração de Jesus ardente de amor a Deus. Nós todos temos amor natural a nós mesmos, embora o nosso amor seja enganoso e muitas vezes procuramos um mal, sob aparência de um bem e fugimos do bem que tem aparência dum mal. Quem ama deverás a si próprio, procura por si o supremo bem, o supremo verdadeiro, o supremo belo, que é Deus, procura e ama a Deus de um amor infinito. A sua santa Humanidade é unida a Divindade na mesma pessoa. O seu Coração palpita sempre pelo Pai Eterno.      

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