Colunistas

A bola no compasso da música

02/07/2010

Covas Junior

       O costume de se homenagear a Seleção Brasileira de Futebol com músicas é muito antigo. Vem desde os tempos de juventude dos geniais Pixinguinha e Benedito Lacerda, dois flautistas e compositores que marcaram a época pioneira do chorinho, clássico ritmo originário do samba. Em 1919, a Seleção disputou  o primeiro Campeonato Sul-Americano e sagrou-se campeã, vencendo o Uruguai por 1 a 0. Foi então que Pixinguinha e Benedito se reuniram para compor Um a Zero, uma das preferidas dos chorões até hoje. Em 1930, Luis Nunes Machado e Feijoada também fizeram outro chorinho, Gol Brasileiro,  para homenagear os craques – todos cariocas – que aturaram naquele time que disputou a copa vencida pelo Uruguai.Para o Campeonato Mundial de 1938, na França – do qual participaram o goleiro Batatais e o ponta-direita Zeca Lopes – Carmem Miranda gravou um disco 78 rotações que tinha de um lado um samba intitulado Paris e, do outro, Diamante Negro, uma homenagem a Leônidas da Silva, o  nosso Pelé da época.       Depois de 38, a copa só voltou a ser disputada em 1950, no Brasil, quando aconteceu a tragédia do Maracanã que ficou calado diante da vitória Uruguai. Lamartine Babo – que tinha o costume de compor hinos para os times de futebol -, fez uma marcha que não pegou porque o povão resolveu eleger como hino oficial daquela seleção a marchinha carnavalesca de Braguinha e Roberto Ribeiro, Touradas em Madri, a mais cantada no carnaval daquele ano. Com o fracasso da Copa de 1950, nenhum compositor se entusiasmou a compor alguma coisa para 1954, quando ocorreu a disputa na Suíça e fomos desclassificados. Mas, foi em 1958 que Wagner Maugeri, Maugeri Sobrinho, Victor Dago – todos ilustres desconhecidos -, e Lauro Muller – este sim era compositor e eu tive a oportunidade de conhecer -, assinaram a célebre marchinha A Taça do Mundo é Nossa que explodiu nas emissoras de rádio de todo o país, gravada pelo quinteto de vocalistas cegos Titulares do Ritmo, a mais executada de todas, ao lado de Prá Frente Brasil, também uma marchinha no estilo carnavalesca, composta inteligentemente por Miguel Gustavo, em 1969 para o campeonato de 70, no México. O compositor era  um gênio do gênero e grande criador de “jingles” publicitários.       Depois, vieram muitas músicas, enaltecendo mais os ídolos como Pelé e Garrincha. Para a Copa do Mundo de 62, no Chile, Jackson do Pandeiro, forrozeiro nordestino, estourou com Frevo do Bi, no qual destacava:... Vocês vão ver como éDidi, Garrincha, PeléDando seu baile de bolaQuando eles pegam no couroO nosso escrete de ouroMotra o que é nossa escolaQuando a partida esquentarVavá vai de calcanharEntregar a pelota a ManéE Mané Garrincha e Didi,Didi diz que é por aquiAí vem o gol de Pelé...        Infelizmente, hoje não se faz mais nada do gênero. Em 1982, o lateral esquerdo Júnior, do Flamengo, tentou algum sucesso atacando de cantor e gravando uma coisa chamada Voa Canarinho, mas não deu certo.Na campanha da Coréia, o jeito foi se contentar com o sucesso do ano, Deixa a vida me levar, do Zeca Pagodinho. O jeito é atacar, novamente, de A Taça do Mundo é Nossa e Prá Frente Brasil. Covas Junior – jornalistaajcovas@radiocapital.am.br 

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