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Tribunal do tráfico agiu em Batatais e julgou menor

Justiça decreta prisão preventiva de três traficantes acusados de torturar menor – a ordem para "punir" adolescente que perdeu dinheiro do tráfico foi dada de dentro de uma penitenciária e foi monitorada pela polícia; traficante, pelo viva voz, pediu para os comparsas pegarem uma tesoura para cortar o cabelo da menor”

03/07/2009

A Justiça de Batatais decretou há uma semana, a prisão preventiva de três pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas que teriam torturado uma adolescente da cidade a mando de um traficante supostamente ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital), que está recluso numa penitenciária.
A "ordem" teria sido dada pelos  traficantes Renato de Moraes, 27, conhecido como Renatinho, Pato Roco e Gordão, que foi um dos 21 condenados pela Justiça do município  acusados de pertencerem a facção criminosa e de articularem ações ligadas a criminalidade. A condenação dos 21 supostos membros do PCC no município saiu no mês passado.
Segundo o delegado do SISE (Setor de Investigações Sobre Entorpecentes de Batatais), Sebastião Oswaldo Mazzaron Filho, Renatinho, de posse de um telefone celular, continuou articulando ações do tráfico de drogas na cidade com vistas a pagar "uma dívida" que tinha com o partido, já que teria perdido, numa operação feita pelos policiais do SISE, 200 gramas de crack e 200g de cocaína.
Mazzaron disse que o traficante estava sendo bastante pressionado pelo bando para pagar a "dívida" por causa da apreensão da droga e que tinha um prazo para fazer o acerto. O pagamento, por determinação da "financeira" do PCC, teria que ocorrer pessoalmente, em Ribeirão Preto.
Num primeiro momento, segundo o delegado, Morais, sempre pelo celular, teria determinado a compra de armas para articular um assalto, mas os comparsas foram presos e a ação foi frustrada.
Num telefonema interceptado no dia 21 de maio de 2008, por volta das 21h15, o traficante é cobrado por um membro da facção e explica, apreensivo, as razões do não pagamento do total da dívida e revela que pediu dinheiro emprestado, e com a venda de 100 gramas de cocaína, iria efetuar o depósito de parte da dívida.
A partir daí, o acusado teria trabalhado para buscar 50g de crack em Ribeirão Preto e "arrumado" a adolescente para levar os R$ 1.040,00 restantes do débito que tinha com a "financeira" do "partido, segundo a autoridade policial. A droga teria sido vendida rapidamente em Batatais e com o dinheiro arrecadado, a amásia do traficante, moradora do Jardim Anselmo Testa, teria feito a contabilidade dos recursos e entregado para a menor.
No dia acertado para a viagem da garota para fazer o pagamento, o delegado do SISE disse que a polícia montou uma operação e apreendeu o dinheiro com a menor, no bairro Santo Antônio, num ponto próximo ao cemitério da cidade.
A garota foi encaminhada para a delegacia e depois foi liberada.

Ameaças:
Depois de prestar depoimento na delegacia, a adolescente teria ido ao encontro de membros do grupo e explicado o que aconteceu. Inconformado com a apreensão dos R$ 1.040,00, que seriam destinados para o pagamento da segunda parcela da dívida contraída com o PCC, o traficante Renatinho teria feito contatos com dois comparsas, Diego Luis da Silva, 24, conhecido como Toco, e Ricardo Caetano da Silva, 21, vulgo Coco, e Thiago Henrique de Oliveira, o Brodowski, de 23 anos, para que levassem a adolescente para um local e a interrogasse, numa espécie de tribunal do tráfico.
Segundo o delegado Mazzaron, a ordem é para que a adolescente fosse "interrogada" e contasse, com detalhes, o que teria dito a polícia. O traficante, segundo o delegado, temia que tivesse sido delatado pela menor.
A menina foi levada para uma residência no bairro do “multirão”, zona leste da cidade, e participado da sessão "do tribunal do tráfico".
Pelo viva voz de um celular, o traficante Renatinho teria gritado e pedido para os parceiros arrancarem os cabelos da menor. Num dos momentos de maior tensão das conversas interceptadas pela polícia, o bandido teria pedido para um dos traficantes pegar uma tesoura e fazer o trabalho, que poderia acabar em assassinato.
Foram presos por causa do crime de tortura e associação para o tráfico de drogas, Diego, Ricardo e a amásia do traficante, Andréia Cristina da Silva, que era chamada nos diálogos de "cunhada ou menino da Cohab".
Os dois maiores de idade foram recambiados para a Cadeia da Guanabara, em Franca, e a mulher para a cadeia feminina de Batatais.PCC paga até formatura de advogados
O Primeiro Comando da Capital é a maior facção criminosa do país. Surgiu dentro dos presídios paulistas, em 1993, e se espalhou para vários presídios do Brasil.
Hoje, a facção tem 130 mil integrantes e nos seus quadros existem advogados que tiveram a escola paga pela organização para servir ao “partido”.
O grupo mostrou sua força durante a megarrebelião de 2006, quando 70 presídios se amotinaram por causa da transferência de líderes da facção. O PCC tem sua maior fonte de renda na venda de drogas, nos sequestros e assaltos. Os integrantes da facção também pagam “‘mensalidades” para garantir a sustentabilidade da facção.
Em Batatais, a existência do tribunal paralelo do comando criminoso foi alvo de manchete exclusiva no A Noticia em março deste ano, quando um adolescente de 17 anos foi surrado no bairro Deputado Geraldo Ferraz de Menezes depois de ser acusado de furtar uma bicicleta de um morador. A polícia local não acreditava muito nessa história e achava que tem mais coisa por debaixo do pano.
Na época o adolescente foi capturado por sete pessoas no bairro, entre elas uma mulher, foi amarrado numa grade e espancado. Levado para um depósito de gás do bairro, teve os pulsos queimados e depois foi abandonado num flat, depois de levar “uma chuveirada” para dar uma despertada.
Segundo a polícia batataense, os autores da agressão tiveram autorização da ‘torre’ para bater no adolescente. Torre quer dizer alto comando, segundo a polícia, ordem que teria saído de dentro de uma cadeia da região.  

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