Batatais tem o menor número de delegados
Número de delegados na cidade caiu 62.5% nos últimos 20 anos
Batatais, município da macro-região de Ribeirão Preto com 57 mil habitantes, de acordo com estimativas do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, conta atualmente em seus quadros com o menor número de delegados de polícia dos últimos vinte anos.São “apenas” três profissionais de carreira que estão atuando nas delegacias e repartições policiais da cidade, um número 62.5% menor do que há 20 anos e 50% menor do em 2007.Sem dúvida alguma, um contra-senso se analisarmos o crescimento da cidade e o aumento da violência.As explicações do alto comando da Polícia Civil da região para a brutal queda no número de delegados que servem a cidade são a extinção da Delegacia Seccional, que funcionou na cidade de 1990 a 1998 e que desmantelou diversas delegacias especializadas e um distrito policial, e as promoções e transferências de delegados, a pedido, dos últimos anos.Com a extinção da Seccional, Batatais perdeu três delegados e ficou com seis- sendo Adolfo Domingos da Silva Júnior, José Arnaldo Andreotti Júnior, Sebastião Vicente Picinato, Sebastião Oswaldo Mazzaron Filho, Roberto Borges de Oliveira e Sílvia Elisa Ruivo Valério Mendonça. Hoje só estão atuando no município, Andreotti, que comanda a delegacia do Município, a principal da cidade, Roberto Borges de Oliveira, que chefia o Primeiro Distrito, e Sebastião Mazzaron, que coordena o SISE, Setor de Investigações Sobre Entorpecentes, além de ser vereador.Com a recente mudança do comando da alta cúpula da Polícia Civil da região, Seccionais e a direção do Deinter-3 (Delegacia da Polícia Judiciária do Interior-3- Ribeirão Preto, ao qual Batatais está subordinada, Batatais “perdeu” mais um delegado, Sebastião Picinato, que deixou a CIRETRAN para comandar a Seccional de São Joaquim da Barra. Precedendo Picinato, já haviam deixado Batatais, Adolfo Domingos, que foi para Franca e depois para a Seccional de São Carlos e a delegada Sílvia Elisa Mendonça, que deixou a Delegacia da Mulher para chefiar um distrito policial em Ribeirão Preto.A “debandada” fez com que dois apêndices importantes da Polícia Civil de Batatais, a DDM e a CIRETRAN, ficassem um delegado titular. Hoje as três autoridades que ficaram têm se revezado nos trabalhos. Mazzaron, inclusive, está coordenando a DDM, mas já declarou que a delegacia deveria ser comandada por uma policial e não por um delegado, já que as mulheres têm mais privacidade de relatar seus casos para uma delegada.Por enquanto, as autoridades e o comando da Polícia Civil de Batatais não vislumbram uma mudança na situação, e esperam que o novo delegado seccional de Franca, Marcelo CAleiro Filho, o Marcelão, que é de Batatais, observe com carinho as reivindicações da polícia local.Faltam, além de uma delegada para a DDM, a nomeação de um delegado assistente para a Delegacia do Município e para a CIRETRAN. O delegado Seccional está de férias, e quando retornar, a reportagem do A NOTICIA irá ouvi-lo para que ele possa analisar a situação da PC de Batatais. Veja o que mudou em nossa cidade: DÉCADA DE 90- DELEGACIA SECCIONAL Delegado Seccional- Moysés Cocito e depois Vanderlei ViolaDelegado assistente- Júlio César de PaulaDemais delegados- Cezar Augusto de França, Celso Botelho dos Santos, Adolfo Domingos da Silva Júnior, Sebastião Mazzaron, Sebastião Picinato, José Arnaldo Andreotti], Silvia Elisa Ruivo Valério Mendonça A PARTIR DE 1999- EXTINÇÃO DA SECCIONAL Adolfo Domingos, Andreotti, Picinato, Robeto Borges de Oliveira, Mazzaron e Sílvia ATUALMENTE Roberto Borges, Andreotti e Mazzaron Segurança Aumenta o déficit de delegados na região Em cerca de um ano, número de cidades sem delegado titular saltou de 32 para 41 Aumentou o número de cidades da região de Ribeirão Preto – todas pertencentes à área de abrangência do Departamento da Polícia Judiciária do Interior 3 (Deinter-3) – que não têm delegados ocupando funções de chefia e dando expediente diário em delegacias. Até as especializadas, como as de Defesa da Mulher (DDM’s), de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise’s) e do Idoso, estão entre as afetadas. Segundo números divulgados pelo Deinter 3 na tarde desta terça-feira, 5 de maio, 41 delegacias da região estão funcionando sem um delegado titular. Há cerca de um ano, o departamento havia divulgado que 32 cidades das regiões de Franca, Barretos, Araraquara e Ribeirão Preto não possuíam delegado de polícia titular. O diretor do Deinter3, Rafael Rabinovici, que é responsável por uma região formada por 93 cidades divididas em oito delegacias seccionais, confirma o déficit. “Com este déficit, temos que deslocar um delegado de uma cidade mais próxima para responder pela delegacia. São cidades pequenas, o delegado dá conta de desenvolver um bom trabalho”, diz.Cidades consideradas pequenas vêm sofrendo mais com o problema, pois, na maioria das vezes, quem procura uma delegacia tem que aguardar a vinda de um delegado para atender ocorrências e assinar documentos. A falta desses profissionais também vem atingindo grandes cidades, como Franca e Ribeirão Preto. A DDM de Franca e a Delegacia do Idoso de Ribeirão Preto funcionam atualmente sem delegado titular, mas o problema não é tão expressivo quando ao vivido por cidades menores, que na maioria das vezes só tem uma delegacia para atender toda a população.Quando da divulgação do déficit de 32 delegados, o então delegado-chefe do Deinter-3, Anivaldo Registro, disse que a falta de delegados deveria ser compensada com o empenho dos que estão na corporação a partir da aprovação de um projeto que dá gratificação de titularidade aos delegados. “É, sem dúvida, um incentivo que vai fazer com que o delegado trabalhe até com mais afinco. Se ele trabalhar mais de quinze dias passa a receber quase dois ordenados”, disse o então diretor do Deinter 3. Mas ressaltou que a melhor solução para resolver o problema seria a abertura de novos concursos para a formação de delegados. Registro fez o pedido diretamente a então deputada estadual Dárcy Vera (DEM), hoje prefeita de Ribeirão Preto. Para o delegado assistente do Deinter-3, Júlio César de Paula, que forneceu a lista para a reportagem do Tribuna, o problema do déficit de delegados só será resolvido com a abertura de novos concursos públicos. “É uma luta antiga nossa”, emenda Rafael Rabinovici.O Deinter 3 ressaltou que, apesar de as delegacias não terem um delegado titular, isso não atrapalha a instauração de inquéritos e o andamento de todo o processo de investigação. Porém, a presidente regional do Sindicato da Polícia Civil de Ribeirão Preto, Maria Alzira da Silva Corrêa, disse que os funcionários estão sobrecarregados e que, em muitos casos, é impossível dar conta de todas as investigações. “Faz com que a população tenha prejuízo, porque a Polícia Civil deixa de cumprir sua principal atribuição que é a investigação”, afirma. Deinter 3: segundo números do departamento, 41 delegacias da região atendem sem delegado titular Cidades sem delegado titular Cândido RodriguesGavião PeixotoSanta LúciaMotucaTrabijuAltairCajobiEmbaúbaGuaíraGuaíra (DDM)Guaíra (1º DP)JaborandiTaiaçuTerra Roxa Vista Alegra do AlltoFranca (DDM)AraminaCristais PaulistasItirapuãJeriquaraRibeirão CorrenteRifainaSão José da Bela VistaBatatais (DDM)Ribeirão Preto (Delegacia do Idoso)Cássia dos CoqueirosCravinhosGuataparáLuiz AntônioSanta Cruz da EsperançaSerra AzulDouradoRibeirão BonitoSão Joaquim da Barra (Dise)Morro AgudoSales de OliveiraSertãozinho (DDM)Monte Alto (DDM)PradópolisTaquaralJaboticabal (2º DP) Pradópolis ‘importa’ delegado Já a vizinha Dumont não tem escrivão A falta de delegados na região ocasiona problemas para a comunidade e para a própria polícia, que acaba ficando sobrecarregada. Pradópolis, município de 15 mil habitantes, é uma das 41 cidades que não têm delegado titular. Por isso, recorre a um profissional que trabalha em outro município para fazer o trabalho burocrático da pasta, como assinar termos de compromissos e inquéritos e presidir as investigações. Quando ocorre um problema de natureza mais grave, o delegado Ildon Pimental de Pádua "tem que sair correndo de Sertãozinho”, conforme disse uma carcereira para a reportagem do A Noticia na tarde de do dia 26. Foi ela quem atendeu o telefonema da reportagem, por volta das 15 horas, fato incomum para uma delegacia, pois geralmente os telefonemas são atendidos por estagiários, telefonistas, escrivães ou investigadores.Ela reconheceu que já aconteceram problemas por causa da ausência de um delegado titular, mas não quis revelar quais. "Que causa problema, causa. Isso é uma verdade”, disse ela. E não faltam só delegados na região. A delegacia de polícia de Dumont vem trabalhando sem escrivão há vários meses. Um policial disse ao A NOTICIA anteontem que essa é uma reivindicação antiga da polícia da cidade.