Familiares manifestaram o interesse em ingressar uma ação judicial contra o dono do caminhão, exigindo indenização
Lauro Sampaio: Enviado especial do A Noticia
Foram sepultadas na manhã desta sexta-feira, 12 de fevereiro, as duas vítimas da maior tragédia da história de Cajuru, município de 22 mil habitantes na região administrativa de Ribeirão Preto. A dona de casa Joana D´Arc Francisco de Abreu, de 46 anos, e o servidor municipal que prestava serviços no Fórum de Justiça da cidade, Cássio Ferreira dos Santos, também de 46 anos, morreram na tarde de anteontem ao serem atingidos por um caminhão desgovernado que estava carregado de pedras britadas. O acidente ocorreu na região central e parou Cajuru.Os corpos, que foram liberados na noite de quinta-feira pelo Instituto Médico Legal (IML) de Ribeirão Preto, foram velados nas casas das vítimas até às 8h30, no bairro Dom Bosco, um dos mais carentes da cidade. Joana D’Arc e Cássio eram cunhados. O cortejo até o cemitério municipal reuniu cerca de 500 pessoas. Pelo fato de as duas vítimas serem parentes, a comoção foi ainda maior, segundo um jornalista da cidade que acompanhou o féretro. No velório, além da indignação, familiares manifestaram o interesse em ingressar uma ação judicial contra o dono do caminhão, exigindo indenização. O depósito, por coincidência, fica no mesmo bairro onde as vítimas moravam, o Dom Bosco.Segundo a Polícia Civil, o caminhão que causou o acidente, um basculante Ford F-600 de um depósito de materiais de construção, dirigido pelo motorista Reinaldo Donizeti Pimenta, de 38 anos, perdeu o freio na descida da avenida Major Adolfo Palielo e, ao chegar no cruzamento com a avenida Prefeito Rubens de Carvalho Ferreira, bateu na traseira de um caminhão-baú que transportava uma carga de papelão. Com o impacto da batida, o segundo caminhão, de Brodowski, “rodopiou” na pista e caiu no córrego canalizado, de uma altura de dois metros. Os ocupantes do caminhão-baú, o motorista Alex Peixoto Barroso, de 27 anos, e o ajudante Sérgio José de Oliveira, morador em Ribeirão Preto, foram retirados da cabine do veículo com a ajuda de populares. Eles sofreram apenas ferimentos leves. A carroceira do caminhão ficou bastante amassada.Após o primeiro acidente, o caminhão desgovernado atropelou um funcionário público municipal que passava sobre a ponte empurrando sua bicicleta, prensando-o contra a ponte e o jogando dentro do córrego. Cássio Ferreira dos Santos sofreu fratura exposta e um grave corte na barriga que possibilitava ver suas vísceras. Ele morreu pouco depois de chegar no Hospital São Vicente de Paulo.Já quase no trecho da rua Doutor Mata, um prolongamento da avenida Major Adolfo Palielo, o caminhão bateu violentamente contra um Citröen Picasso, atirando-o contra um poste que se partiu ao meio, derrubando ainda parte da fiação elétrica. O motorista do Citröen, Marco Galante Salvador, sobreviveu. Duas mulheres que estavam na calçada também foram atropeladas pelo caminhão. Uma delas era Joana D’Arc Francisca de Abreu, que morreu na hora. Ela ficou desfigurada e só foi reconhecida após os policiais checarem seus documentos .A outra pedestre atropelada, Luana Gislene Ferreira, de 31 anos, sofreu fratura exposta nas pernas e foi encaminhada em estado grave para o Hospital das Clínicas Unidade de Emergência de Ribeirão Preto (HC-UE). Luana foi submetida a uma cirurgia na perna e passa bem. O caminhão só foi parar depois de bater num poste, a poucos metros do local onde a dona de casa foi atropelada. O impacto da batida foi tão forte que a cabine do caminhão se soltou e a caçamba se desprendeu do outro compartimento.O motorista Reinaldo Pimenta deixou o veículo sem sofrer nenhum ferimento, em estado de choque. A prefeitura de Cajuru decretou luto oficial na cidade por três dias. Motorista foi indiciado por duplo homícidio culposo O motorista Reinaldo Donizeti Pimenta, de 38 anos, foi indiciado (acusado formalmente) por duplo homício culposo (sem intenção de matar). Ele percebeu que o caminhão estava sem freios ao passar por uma lombada. O caminhão “morreu” e o câmbio "travou”. Pimenta teria buzinado para avisar que o veículo estava desgovernado. A versão foi contestada por algumas testemunhas, que disseram não ter ouvido nada. Uma outra testemunha disse que o motorista deveria ter jogado o caminhão contra o primeiro poste ou um muro, para evitar que ele ganhasse velocidade, o que poderia ter evitado a tragédia. Antes de chegar ao cruzamento das avenidas que cortam o córrego da cidade, Pimenta disse que tentou derivar para a direita, mas a manobra não teria sido possível porque havia um outro caminhão estacionado. “Ele disse que havia pouca coisa a fazer, desesperadamente ele acionou a buzina para avisar as pessoas que saíssem da frente, mas isso não deu muito resultado”, disse um policial militar para à reportagem do A Noticia de Batatais. Pimenta teria dirigido o veículo sem freios por cerca de 500 metros.Depois de bater na traseira do caminhão-báu, Pimenta relatou que não viu mais nada. Ele disse que só foi ver o que realmente tinha acontecido quando desceu do caminhão, após arrebentar um poste na rua Doutor Mata. Segundo ele, o caminhão, "embora velho”, passava por revisões periódicas.Antes do acidente, ele disse que, por volta das 8h30, foi a Serrana buscar um carregamento de pedras britadas numa pedreira e não sentiu nada de anormal no veículo. A Polícia Civil de Cajuru informou que o caminhão foi apreendido e que uma perícia será realizada para que as condições de segurança do veículo sejam avaliadas. A polícia acredita que um defeito mecânico possa ter causado o acidente. O laudo deverá ser divulgado dentro de 30 dias.