Vez por outra encontro pessoas aqui e ali que me fazem a mesma pergunta: “Você parece uma pessoa inteligente e como é que pode acreditar que a Bíblia seja mesmo a Palavra de Deus?” Há os que argumentam que mesmo que nos originais a Bíblia fosse certa, ainda assim os copistas e tradutores poderiam tê-la deturpado através dos séculos. Afinal, os escritores originais gravaram suas palavras em materiais perecíveis como papiro e pergaminho que já se desintegraram através dos séculos.Sendo assim tão vulnerável a possibilidade de preservação da Bíblia, como podemos confiar na sua veracidade?Copiar as Escrituras virou uma profissão no Israel antigo (Esdras 7:6; Salmos 45:1); mas as cópias também eram feitas em materiais perecíveis. Com o tempo, elas tinham de ser substituídas por novas cópias "à mão". Quando as originais saíram de cena, essas cópias tornaram-se a base para manuscritos futuros. O processo de recopiar continuou por muitos séculos. Será que erros dos copistas no decurso dos séculos mudaram drasticamente o texto da Bíblia? Sem entrar nas questões técnicas da preservação e tradução das Escrituras do Antigo e Novo Testamento, podemos afirmar que os dados históricos nos garantem fidelidade nesta área. Para o cristão, pesa ainda a crença no fato que o mesmo Deus que inspirou homens para escrever também levantou homens para preservar o que revelou. Os copistas peritos utilizavam vários métodos de checagem cruzada. Para não omitir nem uma letra do texto bíblico, eles checavam através da contagem não só das palavras, mas também das letras copiadas. Tal esforço garantia a exatidão da cópia.Há motivos de sobra para se crer que a Bíblia foi transmitida com exatidão até os nossos dias. A evidência consiste na existência de manuscritos, em média seis mil das Escrituras Hebraicas na íntegra ou em partes e cinco mil das Escrituras do Novo Testamento, em grego. Entre esses há um manuscrito das escrituras hebraicas descoberto em 1947, que exemplifica com exatidão o processo de recopiar as Escrituras. Este tem sido chamado "a mais importante descoberta de manuscritos nos tempos modernos". São os famosos manuscritos do Mar Morto, cuja história é amplamente conhecida nos meios acadêmicos e considerado o mais antigo conjunto completo de manuscritos hebraicos com data de cerca de cento e cinqüenta anos a.C. Os religiosos estavam interessadíssimos em saber se havia diferenças entre esse rolo e os manuscritos copiados bem mais tarde. Em um estudo, especialistas de todo o mundo compararam o quinquagésimo terceiro capítulo do Rolo do Mar Morto com o do texto massorético que foi copiado mil anos antes. Os resultados foram estes: "Dentre as cento e sessenta e seis palavras deste capítulo, há apenas dezessete palavras em dúvida. Dez simplesmente são uma questão de grafia, ou seja, não alteram o sentido; quatro são mudanças estilísticas menores, tais como conjunções, isto é, só para enriquecer a leitura; as demais três letras diz respeito a palavra "luz", que é acrescentada ao versículo onze e não afeta muito o significado. Assim, em um capítulo de 166 palavras, há apenas uma palavra de três letras em dúvida, depois de mil anos de transmissão e esta palavra não altera significativamente o sentido da passagem."Os religiosos acrescentam: "Muitas das diferenças entre o rolo de Isaías achado e o texto massorético podem ser explicadas como erros de cópia. Fora disso, há uma notável concordância com o texto encontrado nos manuscritos medievais. Tal concordância num manuscrito bem mais antigo fornece um testemunho que renova a confiança na exatidão dos textos atuais."Fatos semelhantes têem sido constatados com as escrituras neotestamentárias A história de como a Bíblia sobreviveu a milhares de anos de recopiar à mão até à época da invenção da imprensa é realmente fantástica porque nenhum outro livro do Mundo foi preservado como este.